Este alunos nunca mais chegam atrasados!

Professor obriga alunos atrasados a darem estaladas uns ao outros.

Que todos nós sabemos que muitos dos costumes na China são diferentes, estranhos e incompreensíveis para a mente de um Ocidental não é novidade. Mas existe sempre algo de novo que nos surpreende.

Quando um professor obriga os alunos a oferecerem umas ”solhas” aos colegas, como castigo, pelo fato de chegarem atrasados à aula, até para os chineses é um pouco extremo.

Pois bem foi o que aconteceu na Universidade de Medicina de Hexi, província de Gansu (famosa pelos pratos de ganso assado, daí o nome da ave Ganso..acho eu). O professor incentiva os alunos atrasados a aplicar o dito castigo à chapada, tendo mesmo intervido numa das ocasiões para mostrar como se davam umas chapadas dignas do nome.

Claro que não demorou muito o video a cair nas redes sociais chineses e a tornar-se viral. Levando o Professor à fama, tendo sido contactado pelo governo chinês de forma a implementar as mesmas medidas de coação a certos elementos, mais marotos, do ilustre Partido Comunista Chinês.

Fica o link do video como prova.

sem-titulo_editedPressionar na imagem, e esperar que a contagem termine.

«Detetor de Peidos» ganha prémio de tecnologia na China

Digam lá, qual foi a última vez que estiveram num autocarro lotado de passageiros ou numa sala quente e abafada de um serviço público, cheia de gente e bafos incríveis, e se perguntaram, «…mas quem foi o filho da **** que se cagou?»

Numa sociedade ideal, entraria nesse exato momento, um agente fiscalizador munido de um aparelho altamente tecnológico, o Detetor de Peidos, e advertiria o prevaricador que se gazeou, no caso de este ser um recorrente seria então multado com uma coima ou em último recurso a penhora de todo o gás restante.

Contudo esse futuro utópico não está tão longe quanto imaginamos.

Na edição deste ano, 2016, o Prémio Ananás foi ganho por Li Jigong da Universidade Tianjin, com o projeto Detetor de Peidos.

Este detetor é um pequeno aparelho móbil que consegue detetar a mais insignificante fragrância e odores distintos usando um algoritmo que traça a origem do cheiro e da sua movimentação no ar.

Muitos já vieram defender a invenção, dizendo que «não só resolve o mistério de quem se peidou, como fornece uma forma de localizar a origem de qualquer odor através das variações na dinâmica do ar.»

O Prémio Ananás vai na sua 5ª edição e é um evento anual de grande importância na comunidade científica chinesa, promovido pela rede social de ciência e tecnologia Goukr.com.

Ji Shishan, fundador e CEO da empresa chinesa menciona a importância e objetivo do prémio, o qual é reconhecer projetos que á primeira vista podem ser estranhos e inúteis mas que no fundo suscitam interesse, admiração e funcionalidade.

O mote é a alegoria ao próprio Ananás, facto de ser um fruto de aspeto diferente e estranho, não deixa de ser bastante nutritivo com o interior brilhante e sabor delicioso.

Um vencedor de uma edição passada, Zhou Xinyue, realça que apesar de muitos projetos serem estranhos e divertidos o seu método de pesquisa foi sério e científico. «Este prémio leva-nos a olhar para a pesquisa científica de forma mais aberta, inspirando-nos para atingir novosobjetivos

O facto é que o Detetor de Peidos poderá ter bastante utilidade na realidade atual. Desde adetetar fugas de gás em edifícios e habitações, substâncias ilícitas como drogas ou engenhos explosivos.

Que palhaçada, Ronald McDonald preso na China.

O caso insólito, insólito para nós ocidentais pois na China é mais do mesmo, teve lugar em Guangzhou, capital da província de Cantão.

Estava o palhaço a trabalhar sossegado na rua, quando 3 agentes da autoridade o interpelaram e o arrestaram sob o propósito de estar a bloquear a via pública. Parece que a polícia não foi na cantiga do I’m lovin’ it.

O município alertou várias vezes o restaurante McDonald’s  para a situação de o palhaço estar a impedir a livre circulação de peões, como se os chineses fossem exemplo em seguir as regras de transito ou de cidadania básica.  Passeios é para bicicletas, motas, bancas de venda, entulho, cães, gatos, tudo e mais alguma coisa, menos pessoas!

Pois bem, no passado dia 10 de abril, foi a gota de água e as autoridades foram forçadas a atuar,  o palhaço foi apanhado de surpresa e nem tempo teve de levar os sapatos. Ronald McDonald resistiu à detenção e os  3 agentes tiveram de empregar a força, tendo sido o palhaço carregado a braços.

As imagens tornaram-se virais, o que levou a muitos chineses especularem se esta detenção não teria sido secretamente orquestrada pelo rival Coronel Sanders ( cadeia fast food KFC).

Outros questionam o uso excessivo da força e excesso de zelo dos agentes responsáveis por fazer cumprir as leis da cidade. Estes são conhecidos como chengguan, e utilizam tácticas duras e disciplina rígida para implementar e fazer respeitar as leis.

É comum vê-los bater em vendedores ambulantes ou artistas de rua, ou a matarem animais de estimação em frente dos donos, apenas por estes não estarem devidamente licenciados.

A detenção do mediático Ronald foi o último exemplo do excesso de zelo,  foi arrancado pelos tornozelos do seu local de trabalho , continuando a base e os seus enormes sapatos vermelhos como uma espécie de armadilha perigosa para quem por ali passa. Palhaçada!

París da China!

Quem não conhece Paris? A cidade das luzes, cheia de movimento, repleta de gente, o burburinho constante da azáfama de quem lá vive ou de quem a visita. Uma cidade para durar no tempo, uma memória da grandeza das ideias do povo que a construiu.

Pois bem, eu não conheço Paris, conheço sim a versão pós-apocalipse da capital francesa. Imaginem-se num filme de zombies, numa terra que sobreviveu às guerras nucleares e ao vírus que dizimou grande parte da população mundial.

Esta é a visão que se tem quando se chega a Tianducheng, cidade fantasma nos arredores de Hangzhou. A cidade-réplica, pós-apocalíptica, de Paris na China.

Tianducheng fica nos arredores de Hangzhou, a próspera capital da província de Zhejiang, cidade onde vivi durante seis meses.

A construção da área residencial iniciou-se em 2007, e muito se especulava que iria terminar em 2015. Pois bem, não vai acabar nunca, está votado ao fracasso. No projecto estava a construção de um luxuoso empreendimento urbanístico de características similares à cidade de Paris, assim como existem outras cidades e zonas urbanísticas criadas à imagem de outras capitais europeias.

É chique, está na moda, e o chinês com dinheiro adora tudo o que vem e tudo o que é vendido na Europa, mesmo que seja fabricado na China.

Quem chega a Paris da China, depara-se com várias similaridades arquitetónicas com a cidade francesa.

Tianducheng conta com a réplica da Torre Eiffel, a fonte dos jardins de Luxemburgo, uma praça chamada de Champs Élysées, edifícios habitacionais semelhantes aos do centro parisiense e vários jardins, as semelhanças ficam por aqui.

O empreendimento residencial foi projectado para receber mais de 10.000 habitantes, vários negócios, serviços e atividades que atraíssem trabalhadores e visitantes. No entanto, as ruas estão completamente desertas, vazias de movimento. Cerca de 2000 pessoas vivem a tempo inteiro nos apartamentos e o maior movimento que existe nas ruas são dos curiosos ou de noivos que aproveitam o cenário romântico de Paris para fazer sessões fotográficas.

Quem mais usa o local são os pobres agricultores das áreas circundantes que vieram à procura de algo melhor, os espaços que deveriam ser jardins ou algo mais, são agora campos de milho e arrozais.

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Ano Novo Chinês – O Ano do Macaco

O Ocidente ainda de ressaca do Réveillon e, a China a preparar-se para a maior festividade anual, a entrada no novo ano lunar.

O Celebração do Ano Novo Chinês é, sem dúvida, o mais importante feriado na China, festejado no primeiro dia do primeiro mês do calendário tradicional chinês. Não se resume a um dia de festividade, mas a um conjunto de celebrações mais conhecidas como Festival da Primavera, Chūnjié春节, tendo a duração de cerca de 15 dias.

Ao contrário do ano novo Cristão, baseado no calendário solar, a festividade chinesa é baseada no sistema tradicional lunar e solar. Os meses lunares têm cerca de 2 dias a menos que os solares, logo um mês extra tem de ser adicionado ao calendário em determinados anos. Esta é a razão para o Ano Novo Chinês ser celebrado em datas diferentes todos os anos.

Este ano, o Ano Novo Chinês será no dia 8 de fevereiro, inicia-se um novo ciclo do zodíaco chinês, simbolizado por um novo animal, o Macaco. Para aqueles que nasceram em 1992, 1980, 1968, 1956 etc, portem-se bem, este é o vosso ano. Para a grande maioria dos chineses esta é a única altura do ano com direito a férias, é a época de retornar às terras de origem, de reunir a família e traçar novos planos para o novo ano que se aproxima.

Tudo encerra, desde os mais variados serviços públicos e privados, restauração, escolas. Existem lugares que ficam praticamente desertos, cidades que viram fantasmas.

Inicia-se a maior época de viagens do mundo, é a maior migração anual realizada por humanos, conhecida como Chūnyùn 春运. Dura cerca de 40 dias em torno do dia do Ano Novo Chinês e o número de viagens excede o dobro da população chinesa, mais de 2.5 mil milhões de viagens realizadas.

Mas o que fazem os chineses no Ano Novo Chinês, o Ano do Macaco?

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Feliz Natal Camaradas!

Desejo a todos um feliz Natal, um abraço aos meu amigos e um grande beijinho para a minha família.

E força para aqueles, como eu, estão longe das famílias e amigos. O ano novo é já para a semana e podem vingar-se na vodka.

E por último, mas menos importante, um grande abraço para os que estão na China, só nós sabemos o que é celebrar o Natal num sítio onde simplesmente não existe.

O querido Pai Natal Mao Tse Tung deseja a todos um Feliz Natal!

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Chapéus há muitos chineses também

Um blog made in China

Não há Star Wars para ninguém! Mas porquê?

Já cheira a Natal, se bem que o cheiro somente provém da doçaria que a Sara está a preparar. Ui, aquela aletria incrível.

Mas de resto, Natal, nem vê-lo, ou não estivesse na China.

É fantástico ver os chineses a assimilar o Natal, não há povo que leve a sério o espírito consumista da época. Isso, e perguntarem-me constantemente porque não estou a usar o gorro tradicional de Natal, aquele vermelho e branco. Tudo bem, têm desconto, não sabem que o Pai Natal é sócio da Coca-Cola.

Adiante. Tudo o que eu queria este ano no pinheirinho era umas cuecas de pelo do Chewbacca e umas pantufas do Darth Vader. Nem a isso tenho direito, Star Wars – Episode VII, ou Guerra das Estrelas, estreou este mês de dezembro pelo mundo fora. Em alguns sítios, estreou antes mesmo que nos EUA.

No meio disso tudo, tenho de aguentar até ao dia 9 de janeiro e desviar o olhar dos inúmeros comentários que correm pela web e redes sociais numa tentativa de fintar os spoilers.

Posto isto, por que razão o novo episódio de Star Wars irá ,somente, estrear no início de janeiro?

O marcador azul do Governo Chinês é razão mais do que evidente, são as autoridades culturais chinesas que decidem quais os filmes estrangeiros que podem aceder ao mercado chinês, decidem ainda quais as datas de estreia nos cinema.

E para verem aprovadas as suas estreias nos cinemas chineses, os filmes estrageiros têm de respeitar e seguir regras específicas determinadas pela autoridade reguladora.

No mesmo sentido, o governo determina cotas anuais sobre a quantidade de filmes estrangeiros permitidos. Desta forma, pelo facto de Star Wars estrear em dezembro, pode-se especular que essa cota tivesse já sido atingida, o que  fez com que a data de lançamento tenha sido agendada para janeiro.

Star Wars na Muralha da China

A China é já o segundo maior mercado mundial de cinema e, em três anos, está previsto ultrapassar os EUA como a maior indústria de filmes a nível mundial. Neste sentido, é fácil perceber o protecionismo governamental em relação aos filmes nacionais. Atrasar Star Wars retira o protagonismo de grande filme de fim de ano, abrindo portas para os filmes chineses terem uma bilheteira maior.

Mesmo que isso seja verdade, não vejo diferença na venda de bilhetes entre dezembro e janeiro. A realidade do conhecimento chinês acerca de Star Wars é simplesmente um enorme buraco negro lá nos confins da galáxia.

Se perguntarem a um chinês o que conhece sobre Star Wars, o que é um Stormtrooper, um Jedi ou quem é o Darth Vader, a probabilidade de ficarem com os olhos em bico é enorme. E se perguntarem acerca das personagens da primeira trilogia o desconhecimento é ainda maior, pura e simplesmente, porque todo o fenómeno nostálgico em torno das personagens não existe.

Nunca me passou pela cabeça perguntar Star Wars em chinês, da mesma forma que se eu perguntar lá por Portugal por Guerra das Estrelas, para os mais distraídos é mais fácil reconhecerem, mesmo que nunca tenham visto os filme, mas penso que não seja esse o problema por aqui. Em Portugal também já não é da moda dizer Guerras das Estrelas, é parolo.

O lançamento do primeiro filme da primeira trilogia de Star Wars remonta a 1977, altura em que a República Popular da China sofria ainda com as políticas implementadas durante a Revolução Cultural impulsionadas em 1966 por Mao Tse Tung, políticas que visavam o retorno ao purismo da revolução comunista e que proibiam e baniam qualquer demonstração de cultura ocidental.

Com a morte de Mao Tse, em 1976, o povo chinês saía ainda de uma era de escuridão cultural e, lentamente, se encaminha para a ideia global sobre o mundo. Ora, neste contexto, os três filmes da primeira trilogia nunca chegaram a ser exibidos nas salas de cinema chinesas, e a segunda trilogia esteve apenas disponível em DVD ou pirata.

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Contudo o mercado chinês é enorme, e o potencial de bilheteira gigante, apesar do desconhecimento geral por parte da sociedade chinesa, o esforço da Disney em divulgar a saga Star Wars, na China, é proporcional ao tamanho do país.

De realçar a campanha de marketing que colocou 500 figurinos vestidos de Stormtroopers na Grande Muralha. Ou o facto de colocar em streaming todos os seis filmes da saga, ou ainda encabeçar o Justin Biber chinês, Lu Han, para ser o embaixador Star Wars junto dos adolescentes, assim como parceria entre Lu Biber e uma banda coreana, Exo. Fica o vídeo da música Lightsaber para ouvir com o volume no máximo.

Contudo,  ainda se está para descobrir o impacto do novo Star Wars na sociedade chinesa, como o foi no ocidente, resta aguardar pelo dia 9 de janeiro para ver o que acontece e esperar que o Pai Natal me traga pelo menos um par de meias made in China.

Até lá, um bom Natal e nada de spoilers.

Chapéus há muitos chineses também!

Um blog made in China.

 

Airpocalipse – Há um manto cinzento que cobre a China

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Os números são assustadores.

A Organização Mundial de Saúde alertou no início do mês de Novembro que, em Shenyang, uma cidade no nordeste chinês, os níveis que medem a qualidade do ar foram ultrapassados mais de cinquenta vezes do que aquilo que é considerado seguro em relação à poluição do ar. Foram os piores resultados desde que a China começou, em 2013, a monitorizar e publicar os dados sobre a densidade de partículas tóxicas no ar. O PM 2.5 estabelece um índice de controlo da qualidade do ar, onde a média segura se situa numa leitura de 25, em Shenyang esses valores atingiram picos de 1400, levando a que a cidade ficasse refém de um manto cinzento.

“The winter is coming”

A frase tornou-se bem conhecida, um cliché que nos leva a imaginar que algo de significante irá acontecer, uma neblina misteriosa que se adensa, um manto cinzento que se alastra conforme o Inverno vai chegando. A imagem bem pode ter sido tirada de um filme ou série de ficção, no entanto está presente no quotidiano chinês, uma realidade que milhões têm de suportar. Para eles o inverno já chegou e com ele o smog, o manto tóxico que cobre grande parte da China, principalmente a norte do país…

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Episódio VII e meio – O Império do Meio contra ataca

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Uma imagem vale por mil palavras. No entanto, uma imagem com uma legenda de mil palavras…vale uma maior reflexão.

Uma das mais recentes polémicas deve-se ao poster de lançamento do novo episódio da saga Star Wars. Não interessa perder tempo a referir quais as diferenças entre a versão chinesa e a versão ocidental da imagem, para isso basta dar uma espreitadela pelos inúmeros posts a circular na web. O que vale a pena é tentar perceber o porquê de isso ter acontecido.

De referir que, a controvérsia maior resume-se ao facto de a personagem, Finn, interpretada por John Boyega, um actor negro, ter sido encolhida e renegada para o fundo do poster. No entanto, outras personagens foram alteradas, reajustadas ou eliminadas da imagem. Ora isto pode ser visto de duas formas, simples estratégia de marketing ou atitude puramente racista e xenófoba.

O mercado cinematográfico na China é proporcional ao tamanho do país, as receitas geradas pelas bilheteiras são gigantes, o mercado de fans é enorme, o que traduz em vendas de merchandizing incríveis. A China é, sem dúvida, uma mina de ouro, um novo El Dorado para a industrial de filmes ocidental.

Ainda mais quando, este mercado funciona como uma espécie de bóia salva-vidas para muitos daqueles filmes que não valem o preço do bilhete de cinema, mesmo que tenha outro de oferta e pipocas incluídas.

É incrível ver filmes que são um completo fracasso nos mercados ocidentais a gerarem lucros de milhões na China, e o mais incrível é terem os direitos comprados por empresas chinesas de forma a produzirem sequelas.

Desta forma, a Lucasfilm e a Disney sabem o que estão a fazer, os posters são elaborados por eles, como tal devem ter dezenas de versões dependendo das características do mercado de lançamento e da duração de tempo em que o filme irá ficar nos cinemas. É se salientar que, este poster controverso não é exclusivo à China, mas sim ao mercado asiático.

No extremo oriente, a cultura robótica está muito mais desenvolvida que no ocidente, os asiáticos adoram temas ligados à robótica ou ao fantástico, seja no Japão, na Coreia do Sul ou na China, por isso, podemos ver no poster a ampliação de personagens robóticas em detrimento das personagens humanas.

Podemos, tentar, entender a reorganização das personagens numa lógica meramente estética, ter vários posters diferentes para os tornar mais colecionáveis, ou uma adaptação estética a mercados  com características especificas.

A China tem departamentos responsáveis por analisar cada filme que irá estrear nos seus cinemas, todos os filmes têm de cumprir certos parâmetros, desde respeitar a cultura e valores da sociedade chinesa, não ter conexões óbvias com religião, sexo, drogas ou violência, desrespeito pelas autoridade, criticas ao sistema politico, ou que mostre a China como uma nação frágil.

No entanto, deve ser dada atenção ao folclore. Filmes de terror com fantasmas, dificilmente são autorizados a estrear na China, e se esses fantasmas forem brancos… ui, ainda pior! Torna-se confuso, pois na cultura chinesa, têm um dia festivo chamado Festival dos Fantasmas, semelhante ao nosso Dia de Todos os Santos.

Assim, filmes que cumpram os requisitos de entrada no mercado chinês, e que, subtilmente, implementem ligações à China podem ver os seus lucros disparar, quer seja pela bilheteira quer seja pela publicidade de empresas chinesas, querem um exemplo disto tudo que falei? Assim de cabeça, o último filme dos Transformers, ou reparem nesse últimos blockbusters e irão encontrar algo chinês, mais não seja um chinês, não fossem eles 1/5 da população mundial.

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Num país onde quem tiver a pele mais escura ainda é visto como alguém rural, sem estudos, ignorante e sem posses económicas, enquanto que quem tiver a pele mais clara é visto como uma pessoa de status superior, a diminuição no poster da personagem negra, pode ser vista como forma de salvaguardar os interesses comerciais do filme.

Quero acreditar que o reajuste do poster seja um piscar de olho à imensidão de novos fans chineses, que podem ser seduzidos pelo fantástico universo de Star Wars.

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No entanto, para um ocidental que vive na China, percebe-se que existem questões de racismo latentes na sociedade chinesa, se bem que penso serem mais questões de ignorância do que algo mais profundo.

Num país tão densamente povoado e com províncias com características distintas, é normal haver focos de conflitos raciais casuais, no entanto o racismo na China é virtualmente inexistente, visto que os Chineses são provenientes, na sua esmagadora maioria, da mesma etnia, Han. Mas que ele existe, existe.

Para entender o fenómeno do racismo latente na sociedade chinesa convém perceber a dimensão étnica na China.

De uma população de 1.3 mil milhões de chineses, a etnia Han, compõe cerca de 92% desse número, sendo os restantes 8% ocupados por 55 grupos étnicos diferentes e, a sua maioria vive nas regiões autónomas.

Entre chineses o racismo mais visível poderá ser aquele que já referi. O determinar a classe social de uma pessoa através do seu tom de pele, uma mulher de tom de pele escuro tem maiores dificuldades em se integrar e se valorizar socialmente do que aquela que tem um tom de pele mais claro.

Também se percebe, o racismo em relação aos chineses muçulmanos Hui, e ao chineses Uyghur, povo islâmico, da província de Xinjiang, os últimos com aspirações separatistas, tendo alguns grupos terroristas com ligações ao ISIS, mas o governo chinês jamais deixará cair a província mais rica em gás natural e outro recursos energéticos. Mas este assunto ficará para um artigo mais aprofundado sobre esta questão.

O sentimento anti Japão que se pode verificar em vários sectores da sociedade chinesa. A invasão e todas as crueldades cometidas pelo Japão durante a II Guerra Mundial não foram esquecidas, no entanto o sentimento racista em relação aos japoneses é algo alimentado nos livros de escola e pelo governo, que ainda vêm o Japão como o inimigo natural. E nisso a China faz-me lembra a Inglaterra, não vai à bola com a França, mas não vive sem o vinho e os queijos.

A conceção que os chineses têm dos japoneses é errada, na escola na família, são ensinados às crianças cânticos e histórias de ódio. O que contrapõe a posição pacífica actual do Japão no mundo.

Depois, existe aquela descriminação ignorante em relação aos ocidentais, os constantes hello, a admiração, o perguntar o que está a fazer aqui na China e o porquê de vir para a China, olhar para o ocidental como se estivesse a olhar para um animal no zoológico.

Apesar de uma presença cada vez maior de estrangeiros na China, e cada vez mais chineses viajarem para o estrangeiro, o contacto com pessoas de outras raças ainda é algo de novo para a sociedade chinesa.

E neste sentido, os estrangeiros de cor negra, sejam eles africanos, americanos, europeus, australianos etc.. sentem uma descriminação ainda maior por parte dos chineses.

Os chineses em geral, e ainda mais os tradicionais, olham para a pele escura como algo sujo, falta de higiene, status social baixo. Assim como quem deixa a barba crescer é olhado como um indigente. Juntando a essa ignorância, o facto de os chineses ainda terem menos contacto com pessoas de raça negra  leva a que haja um maior desconhecimento e desconfiança.

Para muitos, o único contacto que têm com pessoas de pele negra é através da televisão, de filmes, daquilo que os media transmitem, e do basquetebol.

As histórias que os imigrantes chineses em Africa trazem para os seus familiares também constitui um papel fundamental na perceção de como os chineses olham para os africanos.

A relação entre China e Africa é longa, remota à implementação da República Popular Chinesa em 1949, muitos chineses foram para África com as melhores das intenções, outros, foram para explorar. No entanto são as histórias sobre os locais que interessam, que trazem para as famílias e amigos, olham para África como um continente de pessoas pobres, rurais, incultas.

Logo, a conjugação destes factores pode ser visto mais como uma descriminação ignorante do que racista.

Mas, se perguntarem a um chinês se é racista ele responde que não, nem sabe definir muito bem o termo racista.

Só o facto de nós, ocidentais, termos ido buscar as bandeiras e as faixas da luta contra o racismo em relação à questão do poster do Star Wars, levanta a questão do paternalismo que ainda existe em relação a África e, esse paternalismo, por si só, é racista. O facto de criticarmos a China, ou invés de tentarmos perceber que é um fenómeno asiático, é racista.

Não esquecer, que houve posters referentes ao filme, Twelve Years Slave na Europa, onde o ator principal, negro, foi descartado em detrimento de atores secundários, brancos.

De repente, somos todos os donos da razão e esquecemo-nos que a China, apesar de muitas coisas, não participou no comércio internacional de escravos africanos.

E, digam lá, se perguntarem a um Português se é racista, ele vai dizer prontamente que não, nunca na vida. No entanto, não gosta de ciganos, acha que há demasiadas lojas de chineses, as brasileiras só servem para uma coisa, e que há demasiados pretos em Lisboa.

Pessoalmente, gosto mais do poster chinês!

 

11 do Onze, Double 11… O consumismo na China tem esteróides!

A Mecca das compras online.

Sente-se uma atmosfera especial quando vemos o relógio a aproximar-se das 00 horas, sente-se o burburinho, algo está para acontecer. Contudo enganem-se aqueles que pensam que está a chegar o ano novo, não! Mal batem as 12 badaladas e o calendário vira para o 11 de novembro, milhões de chineses dão por si a deslocarem-se à Mecca das compras online.

‘’Triste, só e abandonado, amarrado ao portátil ou smartphone e a afogar as mágoas em doces? Porque não comprar algo novo, um gadget última geração ou um relógio.’’

Esta é a frase que resume a ideia chave por detrás do dia dos Solteiros, um festival chinês que impele os marmanjões solitários a comprarem presentes para si mesmos, um evento celebrado na data com mais ‘’1’’ do ano e que virou o dia mais rentável da história das vendas online…

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