«Detetor de Peidos» ganha prémio de tecnologia na China

Digam lá, qual foi a última vez que estiveram num autocarro lotado de passageiros ou numa sala quente e abafada de um serviço público, cheia de gente e bafos incríveis, e se perguntaram, «…mas quem foi o filho da **** que se cagou?»

Numa sociedade ideal, entraria nesse exato momento, um agente fiscalizador munido de um aparelho altamente tecnológico, o Detetor de Peidos, e advertiria o prevaricador que se gazeou, no caso de este ser um recorrente seria então multado com uma coima ou em último recurso a penhora de todo o gás restante.

Contudo esse futuro utópico não está tão longe quanto imaginamos.

Na edição deste ano, 2016, o Prémio Ananás foi ganho por Li Jigong da Universidade Tianjin, com o projeto Detetor de Peidos.

Este detetor é um pequeno aparelho móbil que consegue detetar a mais insignificante fragrância e odores distintos usando um algoritmo que traça a origem do cheiro e da sua movimentação no ar.

Muitos já vieram defender a invenção, dizendo que «não só resolve o mistério de quem se peidou, como fornece uma forma de localizar a origem de qualquer odor através das variações na dinâmica do ar.»

O Prémio Ananás vai na sua 5ª edição e é um evento anual de grande importância na comunidade científica chinesa, promovido pela rede social de ciência e tecnologia Goukr.com.

Ji Shishan, fundador e CEO da empresa chinesa menciona a importância e objetivo do prémio, o qual é reconhecer projetos que á primeira vista podem ser estranhos e inúteis mas que no fundo suscitam interesse, admiração e funcionalidade.

O mote é a alegoria ao próprio Ananás, facto de ser um fruto de aspeto diferente e estranho, não deixa de ser bastante nutritivo com o interior brilhante e sabor delicioso.

Um vencedor de uma edição passada, Zhou Xinyue, realça que apesar de muitos projetos serem estranhos e divertidos o seu método de pesquisa foi sério e científico. «Este prémio leva-nos a olhar para a pesquisa científica de forma mais aberta, inspirando-nos para atingir novosobjetivos

O facto é que o Detetor de Peidos poderá ter bastante utilidade na realidade atual. Desde adetetar fugas de gás em edifícios e habitações, substâncias ilícitas como drogas ou engenhos explosivos.

Que palhaçada, Ronald McDonald preso na China.

O caso insólito, insólito para nós ocidentais pois na China é mais do mesmo, teve lugar em Guangzhou, capital da província de Cantão.

Estava o palhaço a trabalhar sossegado na rua, quando 3 agentes da autoridade o interpelaram e o arrestaram sob o propósito de estar a bloquear a via pública. Parece que a polícia não foi na cantiga do I’m lovin’ it.

O município alertou várias vezes o restaurante McDonald’s  para a situação de o palhaço estar a impedir a livre circulação de peões, como se os chineses fossem exemplo em seguir as regras de transito ou de cidadania básica.  Passeios é para bicicletas, motas, bancas de venda, entulho, cães, gatos, tudo e mais alguma coisa, menos pessoas!

Pois bem, no passado dia 10 de abril, foi a gota de água e as autoridades foram forçadas a atuar,  o palhaço foi apanhado de surpresa e nem tempo teve de levar os sapatos. Ronald McDonald resistiu à detenção e os  3 agentes tiveram de empregar a força, tendo sido o palhaço carregado a braços.

As imagens tornaram-se virais, o que levou a muitos chineses especularem se esta detenção não teria sido secretamente orquestrada pelo rival Coronel Sanders ( cadeia fast food KFC).

Outros questionam o uso excessivo da força e excesso de zelo dos agentes responsáveis por fazer cumprir as leis da cidade. Estes são conhecidos como chengguan, e utilizam tácticas duras e disciplina rígida para implementar e fazer respeitar as leis.

É comum vê-los bater em vendedores ambulantes ou artistas de rua, ou a matarem animais de estimação em frente dos donos, apenas por estes não estarem devidamente licenciados.

A detenção do mediático Ronald foi o último exemplo do excesso de zelo,  foi arrancado pelos tornozelos do seu local de trabalho , continuando a base e os seus enormes sapatos vermelhos como uma espécie de armadilha perigosa para quem por ali passa. Palhaçada!

París da China!

Quem não conhece Paris? A cidade das luzes, cheia de movimento, repleta de gente, o burburinho constante da azáfama de quem lá vive ou de quem a visita. Uma cidade para durar no tempo, uma memória da grandeza das ideias do povo que a construiu.

Pois bem, eu não conheço Paris, conheço sim a versão pós-apocalipse da capital francesa. Imaginem-se num filme de zombies, numa terra que sobreviveu às guerras nucleares e ao vírus que dizimou grande parte da população mundial.

Esta é a visão que se tem quando se chega a Tianducheng, cidade fantasma nos arredores de Hangzhou. A cidade-réplica, pós-apocalíptica, de Paris na China.

Tianducheng fica nos arredores de Hangzhou, a próspera capital da província de Zhejiang, cidade onde vivi durante seis meses.

A construção da área residencial iniciou-se em 2007, e muito se especulava que iria terminar em 2015. Pois bem, não vai acabar nunca, está votado ao fracasso. No projecto estava a construção de um luxuoso empreendimento urbanístico de características similares à cidade de Paris, assim como existem outras cidades e zonas urbanísticas criadas à imagem de outras capitais europeias.

É chique, está na moda, e o chinês com dinheiro adora tudo o que vem e tudo o que é vendido na Europa, mesmo que seja fabricado na China.

Quem chega a Paris da China, depara-se com várias similaridades arquitetónicas com a cidade francesa.

Tianducheng conta com a réplica da Torre Eiffel, a fonte dos jardins de Luxemburgo, uma praça chamada de Champs Élysées, edifícios habitacionais semelhantes aos do centro parisiense e vários jardins, as semelhanças ficam por aqui.

O empreendimento residencial foi projectado para receber mais de 10.000 habitantes, vários negócios, serviços e atividades que atraíssem trabalhadores e visitantes. No entanto, as ruas estão completamente desertas, vazias de movimento. Cerca de 2000 pessoas vivem a tempo inteiro nos apartamentos e o maior movimento que existe nas ruas são dos curiosos ou de noivos que aproveitam o cenário romântico de Paris para fazer sessões fotográficas.

Quem mais usa o local são os pobres agricultores das áreas circundantes que vieram à procura de algo melhor, os espaços que deveriam ser jardins ou algo mais, são agora campos de milho e arrozais.

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